{"id":252,"date":"2022-01-14T12:58:00","date_gmt":"2022-01-14T12:58:00","guid":{"rendered":"https:\/\/josiasmoraes.com\/blog\/?p=252"},"modified":"2022-12-22T12:00:32","modified_gmt":"2022-12-22T12:00:32","slug":"infraestrutura-para-o-uso-da-bicicleta-alem-das-faixas-e-estruturas-de-apoio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/infraestrutura-para-o-uso-da-bicicleta-alem-das-faixas-e-estruturas-de-apoio\/","title":{"rendered":"Infraestrutura para o uso da bicicleta: al\u00e9m das faixas e estruturas de apoio"},"content":{"rendered":"\n<p>A bicicleta h\u00e1 muito tempo \u00e9 utilizada como meio de transporte, surgiu primeiro do que o autom\u00f3vel, h\u00e1 mais de 200 anos a sua primeira vers\u00e3o foi constru\u00edda pelo bar\u00e3o Karl von Drais em 1817. De l\u00e1 para c\u00e1 muitas mudan\u00e7as, cidades come\u00e7aram a crescer, a popula\u00e7\u00e3o, que antes era predominantemente rural, passa a ser predominantemente urbana e os ve\u00edculos motorizados come\u00e7am a ocupar mais espa\u00e7os nos grandes centros urbanos.<\/p>\n\n\n\n<p>O anseio pelo moderno estava na figura do autom\u00f3vel, seria ele o representante de uma sociedade inovadora e futurista. Novas ruas e estradas surgiam para abrir caminhos antes nunca percorridos, para que esta m\u00e1quina revolucion\u00e1ria levasse o progresso por onde passasse.<\/p>\n\n\n\n<p>Anos depois, a m\u00e1quina revolucion\u00e1ria trouxe diversos problemas, hoje o autom\u00f3vel polui mais do que a ind\u00fastria, sua polui\u00e7\u00e3o \u00e9 um grande fator para doen\u00e7as respirat\u00f3rias cr\u00f4nicas, o seu uso excessivo produz gases do efeito estufa, que alteram n\u00e3o apenas o clima local, como contribuem para mudan\u00e7as regionais. As externalidades negativas do seu uso se sobrep\u00f5em em rela\u00e7\u00e3o as externalidades positivas.<\/p>\n\n\n\n<p>O autom\u00f3vel deixou grandes cicatrizes na mobilidade urbana, principalmente no uso dos modos ativos. O pedestre perdeu espa\u00e7o nas cal\u00e7adas e os usu\u00e1rios de bicicletas n\u00e3o encontravam seguran\u00e7a para se deslocar em meio a motoristas que n\u00e3o tinham no\u00e7\u00e3o de dirigir com cuidado e\/ou n\u00e3o queriam compartilhar a via com um ve\u00edculo t\u00e3o \u201clento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, utilizar a bicicleta vem, novamente, se tornando algo comum, como era cerca de 70 a 80 anos atr\u00e1s. Mas, quem a utilizava h\u00e1 30 anos era considerado \u201clouco\u201d por andar em meio aos carros. N\u00e3o \u00e9 preciso ir muito longe no tempo para entender o porqu\u00ea de pessoas chamarem os ciclistas de loucos. No ano de 2010, a velocidade m\u00e1xima na avenida mais famosa da cidade de S\u00e3o Paulo era de 70 km\/h. Dif\u00edcil de acreditar, se n\u00e3o fosse o hist\u00f3rico de imagens do Google Street View, acharia um absurdo uma via urbana com um limite de velocidade t\u00e3o alta.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"484\" src=\"https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/371644_a388bd1d6ad64424a6be13e9a96f9d58mv2-1024x484.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-254\" srcset=\"https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/371644_a388bd1d6ad64424a6be13e9a96f9d58mv2-1024x484.webp 1024w, https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/371644_a388bd1d6ad64424a6be13e9a96f9d58mv2-300x142.webp 300w, https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/371644_a388bd1d6ad64424a6be13e9a96f9d58mv2-768x363.webp 768w, https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/371644_a388bd1d6ad64424a6be13e9a96f9d58mv2.webp 1154w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem do Google Street View da Avenida Paulista, em S\u00e3o Paulo, no ano de 2010, destaque para a velocidade regulamentada naquele ano.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a mudar a partir de 2014, no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, quando sua malha ciclovi\u00e1ria come\u00e7ou a ser expandida e pol\u00edticas de redu\u00e7\u00f5es de velocidade come\u00e7aram a surgir, tornando o ambiente urbano um pouco mais favor\u00e1vel ao uso da bicicleta e mais seguro, do ponto de vista da seguran\u00e7a vi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, podemos dizer que a implanta\u00e7\u00e3o de estruturas como ciclovias e ciclofaixas induziram uma demanda para o uso da bicicleta como meio de transporte, no caso do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo. Mas, isso n\u00e3o \u00e9 exclusividade da capital paulista, se outros munic\u00edpios come\u00e7arem a fazer o mesmo, \u00e9 muito prov\u00e1vel que mais pessoas comecem a usar a bicicleta como seu transporte principal.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que \u00e9 necess\u00e1rio cuidados na hora de implantar essas estruturas, pensar na topografia, qual a tipologia mais adequada, projetar pensando em liga\u00e7\u00f5es futuras, abranger os principais pontos de interesse existentes no munic\u00edpio e levar em quest\u00e3o a seguran\u00e7a p\u00fablica. Este \u00faltimo, infelizmente, muitas vezes n\u00e3o \u00e9 considerado ou \u00e9 pensado do ponto de vista do usu\u00e1rio masculino.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso de Marina Harkot, atropelada e morta por um motorista embriagado em novembro de 2020, \u00e9 emblem\u00e1tico por alguns pontos. O primeiro mostra a impunidade da aplica\u00e7\u00e3o da lei, quem mata uma pessoa a atropelando tem grandes chances de n\u00e3o ser preso, principalmente se deixa o local sem prestar socorro (para n\u00e3o responder por um crime em flagrante). O segundo ponto \u00e9 a quest\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico e a seguran\u00e7a, Marina pedalava em uma via que possui ciclovia, contudo, por conta do hor\u00e1rio, utilizar a ciclovia a deixaria muito vulner\u00e1vel a ser assaltada. Ela j\u00e1 relatava isso aos amigos, n\u00e3o s\u00f3 naquele local como em diversos outros, a disserta\u00e7\u00e3o do seu mestrado trazia essa tem\u00e1tica do uso do espa\u00e7o p\u00fablico pela mulher, de como os espa\u00e7os se tornam limitados para mulheres, dependendo do local, do hor\u00e1rio, do p\u00fablico, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Indo para outra quest\u00e3o de infraestrutura, os ciclistas encontram uma imensa dificuldade de locais para estacionar sua bicicleta com seguran\u00e7a. Em um mundo ideal, os edif\u00edcios p\u00fablicos e privados deveriam dispor de biciclet\u00e1rios, raramente isso acontece e at\u00e9 mesmo o ente p\u00fablico no momento de formular uma pol\u00edtica p\u00fablica de incentivo, acaba fazendo o oposto.<\/p>\n\n\n\n<p>A imagem abaixo, retirada do perfil do Instagram do grupo Bike Zona Sul, um grupo de cicloativista do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, mostra um certo descaso do Governo do Estado de S\u00e3o Paulo ao tentar integrar o transporte p\u00fablico, no caso o Metr\u00f4, com o transporte ativo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/371644_6c4ca8544c234681b4c042f07e5d6377mv2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-253\" width=\"347\" height=\"442\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto tirada na Esta\u00e7\u00e3o do Metr\u00f4 Campo Limpo &#8211; Linha 5, mostrando paraciclos em local aberto e sem controle de acesso. Fonte: Bike Zona Sul, 2022.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Pode parecer uma boa vontade a implanta\u00e7\u00e3o dos paraciclos na esta\u00e7\u00e3o, no entanto, esse tipo de infraestrutura n\u00e3o \u00e9 adequada para uma esta\u00e7\u00e3o do Metr\u00f4, nem seria adequada para um terminal de \u00f4nibus. Quando o ciclista precisa deixar sua bicicleta em um local por um longo per\u00edodo, o ideal \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o de um biciclet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual a diferen\u00e7a entre um paraciclo e um biciclet\u00e1rio? Um biciclet\u00e1rio \u00e9 um local onde h\u00e1 uma pessoa que controla a entrada e a sa\u00edda dos usu\u00e1rios, identificando-o e sua bicicleta. O melhor modelo de biciclet\u00e1rio \u00e9 aquele de f\u00e1cil acesso, totalmente coberto, que identifica o usu\u00e1rio atrav\u00e9s de um documento e caracteriza a bicicleta (em alguns casos, tiram foto) e que disponibiliza cadeados numerados, garantindo uma maior seguran\u00e7a ao deixar a bicicleta no local.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que existem diferen\u00e7as entre biciclet\u00e1rios, por experi\u00eancia utilizei um em que apenas identificava o usu\u00e1rio, sem fornecer cadeado e se voc\u00ea n\u00e3o tivesse um, poderia deixar a bicicleta sem problemas (mesmo com acesso controlado, n\u00e3o recomendo deixar a bicicleta sem cadeado). Um outro em que identificava o usu\u00e1rio e sua bicicleta e disponibilizava cadeado s\u00f3 se voc\u00ea tivesse um cadeado tamb\u00e9m, caso contr\u00e1rio n\u00e3o poderia utilizar o biciclet\u00e1rio (um certo exagero, do meu ponto de vista). E o \u00faltimo exemplo \u00e9 o que considero melhor, identifica\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio e sua bicicleta, al\u00e9m de tirar uma foto dela, e a disponibiliza\u00e7\u00e3o de um cadeado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima infraestrutura, para finalizar o texto, s\u00e3o as bicicletas compartilhadas. S\u00e3o Paulo teve a experi\u00eancia de ter tido dois sistemas, um com esta\u00e7\u00f5es fixas e o outro sem a necessidade de esta\u00e7\u00f5es para retirar e devolver a bicicleta. Infelizmente, o sistema sem esta\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve \u00eaxito e atualmente o munic\u00edpio conta com o sistema de esta\u00e7\u00f5es fixas. A empresa que administra o sistema informa que existem 260 esta\u00e7\u00f5es com um total de 2.700 bicicletas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pena n\u00e3o ter mais dispon\u00edvel no site GeoSampa o arquivo digital das esta\u00e7\u00f5es de bicicletas compartilhadas. Provavelmente, se tiv\u00e9ssemos acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, sem ser pelo aplicativo da empresa, ir\u00edamos ver uma concentra\u00e7\u00e3o das esta\u00e7\u00f5es em \u00e1reas mais nobres da cidade, principalmente nas zonas oeste e sul (em sua parte mais a norte da regi\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>De maneira b\u00e1sica, o incentivo ao uso da bicicleta est\u00e1 em uma tr\u00edade que comp\u00f5e a implanta\u00e7\u00e3o de ciclovias e ciclofaixas, estruturas de biciclet\u00e1rios e paraciclos e sistemas de compartilhamento de bicicletas. Claro, h\u00e1 outros pontos importantes, como adapta\u00e7\u00f5es de velocidades das vias, melhorias na sinaliza\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00f5es de espa\u00e7os seguros. \u00c9 muito importante discutir com usu\u00e1rios, levando em considera\u00e7\u00e3o a quest\u00e3o de g\u00eanero e classe social, para criarmos infraestruturas funcionais e que incentivem cada vez mais o uso da bicicleta.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>OBS:<\/strong> \u00e9 mais do que preciso incluir na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica princ\u00edpios b\u00e1sicos sobre direitos e deveres das pessoas no tr\u00e2nsito, desta forma teremos a forma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os mais conscientes e, espero, que respeitem mais a vida das pessoas no tr\u00e2nsito.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Recomenda\u00e7\u00e3o de leitura<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Abaixo segue link sobre como desenhar ruas seguras para os ciclistas, publica\u00e7\u00e3o do site Arch Daily<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.archdaily.com.br\/br\/972848\/4-maneiras-de-desenhar-ruas-seguras-para-bicicletas?utm_source=pocket_mylist\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A bicicleta h\u00e1 muito tempo \u00e9 utilizada como meio de transporte, surgiu primeiro do que o autom\u00f3vel, h\u00e1 mais de 200 anos a sua primeira vers\u00e3o foi constru\u00edda pelo bar\u00e3o Karl von Drais em 1817. 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