{"id":268,"date":"2022-03-11T13:16:00","date_gmt":"2022-03-11T13:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/josiasmoraes.com\/blog\/?p=268"},"modified":"2022-12-22T11:59:26","modified_gmt":"2022-12-22T11:59:26","slug":"a-importancia-do-trem-metropolitano-da-cptm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/a-importancia-do-trem-metropolitano-da-cptm\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia do Trem Metropolitano da CPTM"},"content":{"rendered":"\n<p>A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) completa 30 anos no m\u00eas de maio de 2022. Sua cria\u00e7\u00e3o foi respons\u00e1vel por unificar dois servi\u00e7os que, at\u00e9 ent\u00e3o, eram denominados como trens urbanos (embora n\u00e3o fosse incomum que fossem chamados de trens suburbanos, trens de sub\u00farbio ou apenas sub\u00farbios) e metropolitanos, estes \u00faltimos nascidos a partir de esfor\u00e7os consider\u00e1veis da Fepasa (Ferrovia Paulista S. A.), que viria a ser extinta na segunda metade dos anos 1990, ao ser incorporada \u00e0 RFFSA (Rede Ferrovi\u00e1ria Federal S. A.).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que de forma paradoxal, a extin\u00e7\u00e3o e inventarian\u00e7a da RFFSA, parte de um programa de desestatiza\u00e7\u00e3o que reorganizou a malha federal, que naquela altura j\u00e1 havia encolhido para cerca de 22 mil km, e abriu espa\u00e7o para a amplia\u00e7\u00e3o do programa do Trem Metropolitano. Sem disputar espa\u00e7o com trens de longo e m\u00e9dio percurso, o Trem Metropolitano se tornou praticamente hegem\u00f4nico, n\u00e3o fossem por alguns trens de carga espor\u00e1dicos, que circulam nos vales mais intensos.<\/p>\n\n\n\n<p>Este programa nascido na Fepasa, alinhava-se com diferentes diagn\u00f3sticos do Executivo paulista, a exemplo do Plano Metropolitano de Desenvolvimento Integrado, publicado na d\u00e9cada de 70 pela Emplasa (Empresa Metropolitana de Planejamento S. A.), que preconizava a necessidade de aumento vertiginoso da oferta de lugares nos servi\u00e7os de trens urbanos de diferentes ferrovias que compunham, de forma a torn\u00e1-los pouco ou nada distingu\u00edveis dos pap\u00e9is esperados de linhas de metr\u00f4.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, o Trem Metropolitano da Fepasa e, depois, Trem Metropolitano da CPTM, continuou sua evolu\u00e7\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o para se consolidar como o sistema nervoso de alta capacidade da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo e da Aglomera\u00e7\u00e3o Urbana de Jundia\u00ed, sendo, na pr\u00e1tica, das duas redes de metr\u00f4 que avan\u00e7am sobre o territ\u00f3rio paulistano, a \u00fanica com car\u00e1ter eminentemente metropolitano, atendendo munic\u00edpios a mais de 50 km da Pra\u00e7a da S\u00e9, marco zero da capital paulista.<\/p>\n\n\n\n<p>Luciano Ferreira da Luz, <a href=\"https:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/8\/8136\/tde-10022011-094138\/pt-br.php\">em sua tese de doutorado<\/a> de 2010, aponta a magnitude do aumento de capacidade: \u201cpara comportar o grande crescimento da demanda, desde 1995 a oferta de lugares da CPTM cresceu 72% na hora pico. Como se nota, a oferta cresceu em ritmo menor ao da demanda, o que leva \u00e0s explica\u00e7\u00f5es obtidas pelos indicadores propostos, que demonstraram o melhor aproveitamento dos lugares oferecidos, que saltou de 58,2% para 84,7% no sentido predominante e de 20,6% para 47,5% no contra fluxo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias atuais, a malha da CPTM tem aproximadamente 270 km, dos quais aproximadamente 130 km est\u00e3o dentro da capital paulista, atendendo 23 munic\u00edpios. Das sete linhas que comp\u00f5em a malha, duas delas (8-Diamante e 9-Esmeralda) foram concedidas \u00e0 iniciativa privada por tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"886\" height=\"645\" src=\"https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/371644_9b338033148047c79405f66924e694f9mv2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-270\" srcset=\"https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/371644_9b338033148047c79405f66924e694f9mv2.png 886w, https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/371644_9b338033148047c79405f66924e694f9mv2-300x218.png 300w, https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/371644_9b338033148047c79405f66924e694f9mv2-768x559.png 768w\" sizes=\"(max-width: 886px) 100vw, 886px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 1 &#8211; Rede metropolitana de transporte, com destaque para as linhas operadas pela CPTM.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Nos anos que antecederam a pandemia, o volume m\u00e1ximo de passageiros transportados girava em torno de 3 milh\u00f5es de pessoas em m\u00e9dia por dia \u00fatil. Mesmo que pare\u00e7a pouco ou nada intuitivo, predominam os embarques no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, participa\u00e7\u00e3o esta que j\u00e1 havia alcan\u00e7ado o patamar de 63% em 1995, como apontado por Ferreira da Luz (p. 48), cerca de uma d\u00e9cada depois, a <a href=\"http:\/\/www.aeamesp.org.br\/22semana\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2016\/09\/P3-Paulo-de-Magalh%C3%A3es.pdf\">pr\u00f3pria companhia estimava<\/a> que 69% dos embarques se davam no munic\u00edpio, com 19 km de percurso m\u00e9dio por passageiro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"645\" height=\"316\" src=\"https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/371644_4d764d41ab5b47f3b4c42f7ef4536a5fmv2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-269\" srcset=\"https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/371644_4d764d41ab5b47f3b4c42f7ef4536a5fmv2.png 645w, https:\/\/poloplanejamento.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/371644_4d764d41ab5b47f3b4c42f7ef4536a5fmv2-300x147.png 300w\" sizes=\"(max-width: 645px) 100vw, 645px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 2 &#8211; Perfil da pessoa usu\u00e1ria da CPTM.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Com o aumento da complexidade da malha, fruto de uma maior intermodalidade e de iniciativas que visam, por exemplo, reintroduzir a opera\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os em escala regional, como poder\u00e1 ser o caso do futuro Trem Intercidades entre S\u00e3o Paulo e Campinas, o papel da CPTM e do Trem Metropolitano se torna ainda mais crucial.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, como grandes marcos do Trem Metropolitano, podemos destacar: o programa de moderniza\u00e7\u00e3o do eixo Mau\u00e1-Piritiba da Estrada de Ferro Santos-Jundia\u00ed, que atualmente compreende o Servi\u00e7o 710, que unifica as linhas 7-Rubi e 10-Turquesa; o programa de moderniza\u00e7\u00e3o das ent\u00e3o linhas Oeste e Sul nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980, atuais linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, que encerrou o triste cap\u00edtulo do \u201ctrem da morte\u201d, como eram conhecidos os servi\u00e7os suburbanos da Estrada de Ferro Sorocabana, que pr\u00e9-datou o surgimento da Fepasa; a dinamiza\u00e7\u00e3o da Linha 9-Esmeralda entre o fim dos anos 1990 e o in\u00edcio da primeira d\u00e9cada de 2000; o surgimento do Expresso Leste, inaugurado em 27 de maio de 2000, um dia antes de a CPTM completar 8 anos; o projeto Integra\u00e7\u00e3o Centro, que reconstruiu a Esta\u00e7\u00e3o Br\u00e1s e conectou a Esta\u00e7\u00e3o da Luz da CPTM \u00e0 esta\u00e7\u00e3o hom\u00f4nima da Companhia do Metr\u00f4; a dinamiza\u00e7\u00e3o da Linha 12-Safira na primeira d\u00e9cada de 2010, notabilizado pela inaugura\u00e7\u00e3o das esta\u00e7\u00f5es Comendador Ermelino, USP Leste, Itaim Paulista e Jardim Romano; e a inaugura\u00e7\u00e3o em 2018 da Linha 13-Jade em sua primeira fase, respons\u00e1vel por conectar a malha da CPTM ao aeroporto internacional de Guarulhos, sendo tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela completa reconstru\u00e7\u00e3o da Esta\u00e7\u00e3o Engenheiro Goulart.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) completa 30 anos no m\u00eas de maio de 2022. 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