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A relação das pessoas com a produção do espaço urbano

Em pleno século XXI, em que mais da metade da população mundial vive em centros urbanos, muito tem se discutido o direito à cidade, entendido, entre outros aspectos, como uma demanda por infraestrutura, equipamentos urbanos e habitação social. E surgem questionamentos, principalmente em função do período atual em que vivemos, por conta da pandemia, sobre as transformações nos modos de vida nas cidades, e consequentemente de seus espaços públicos.

As cidades se tornaram segregadas, poluídas e congestionadas, além de reprimirem o crescimento econômico. Até pouco tempo atrás as ruas eram construídas em torno dos automóveis, com pistas largas para o tráfego e pouco espaço para as pessoas.

Engenheiros, arquitetos e moradores vêm trabalhando para retomar suas ruas, por meio de desenhos que coloquem as pessoas em primeiro lugar. Espera-se que as ruas acolham os cidadãos, oferecendo maior qualidade de vida e alternativas de escolha em termos deslocamento, sendo mais justas, inclusivas e saudáveis e garantindo a acessibilidade aos seus espaços públicos.

O fato é que as cidades podem sim ser redesenhadas para melhorar os espaços onde as pessoas vivem, promovendo uma maior qualidade de vida, integrando, de forma harmoniosa os pedestres, ciclistas, usuários do transporte público e motoristas, dando a mesma importância para cada um deles.

Desenhar ruas urbanas para minimizar a dependência de automóveis e promover alternativas seguras e sustentáveis pode ajudar a superar diversos desafios que as cidades em todo o mundo enfrentam, incluindo: violência no trânsito, falta de atividade física e doenças crônicas, má qualidade do ar, ineficiência econômica, elevado consumo de eletricidade, mudanças climáticas, poluição sonora, má qualidade de vida e desigualdades (Nacto, 2018).

O estabelecimento de uma nova referência mundial para o desenho de vias urbanas, que reconhece as cidades como locais para pessoas define parâmetros de acesso, segurança e mobilidade para todos os usuários, qualidade ambiental, benefício econômico, melhoria do lugar, da saúde pública e da qualidade de vida em geral como prioritários e deixa de lado o ponto de vista simplista da circulação e da segurança do automóvel.

Baseada em pessoas e lugares, a nova abordagem de desenho de ruas corrobora com a transformação de ruas existentes em espaços urbanos seguros, saudáveis e agradáveis. Avaliar o contexto local e as necessidades de múltiplos usuários assegurando que o desenho corresponda às necessidades dessas pessoas e garanta atividades para as condições futuras do local se tornou o foco principal desta nova forma de projetar.

Aqui vamos citar três cidades brasileiras. Salvador/BA, Florianópolis/SC e Campo Grande/MS que redesenharam suas ruas, transformando-as em um ambiente urbano sustentável e ainda mais acessível.

Em Salvador, a rua Miguel Calmon recebeu nova pavimentação, serviços de macro e microdrenagem, além de mobiliário urbano, arborização e ciclovia desde as imediações do Mercado Modelo até a entrada do Plano Pilar. Foi revitalizada a Praça Riachuelo, cujo entorno ganhou piso intertravado. Já as calçadas da rua passaram a ter concreto lavado com detalhes em pedras portuguesas e itens de acessibilidade, como rampas, piso tátil e passagem de pedestres. A iluminação foi modernizada com a implantação de lâmpadas em LED.

Rua Miguel Calmon – Salvador-BA [1]

Já o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) criou o Projeto + Pedestres que adotou intervenções de pintura e a colocação de sinalização adequada, reduzindo a velocidade dos veículos motorizados, com a criação de ambientes públicos mais seguros e confortáveis para pedestres e ciclistas. A utilização da pintura como ferramenta de ação sobre o espaço público permitiu alterações simples e rápidas, em pontos estratégicos, de grande fluxo de pedestres, abrindo portas para um caráter mais empírico e palpável no campo do planejamento e do desenho urbano. A pintura e a ambiência resultante deram mais visibilidade aos espaços públicos, instigando os cidadãos a observarem e vivenciarem mais sua cidade.

Rua Esteves Junior – Florianópolis-SC [2]

Em Campo Grande/MS o desenho da Rua 14 de julho foi revisto e a via contemplada com calçadas largas, mobiliário urbano, paisagismo, áreas de descanso e lazer e fios subterrâneos.

Rua 14 de Julho – Campo Grande-MS [3]

Esperamos que esta nova forma de planejar as ruas possa impactar as cidades de forma positiva, contribuindo para diminuição da velocidade, com a implementação de desenhos de vias seguras para todos os usuários, priorizando opções de mobilidade sustentáveis. E ainda, ao adotar-se estas iniciativas as cidades se preparam para vencer uma infinidade de desafios que virão nos próximos anos, obtendo melhores resultados em saúde, segurança pública, qualidade de vida, sustentabilidade ambiental, sustentabilidade econômica e equidade social.

Fonte das imagens:

[1]. AVENA, Armando.: Portal eletrônico de notícias Bahia Econômica – Título da reportagem: Rua Miguel Calmon Reflete Transformação do Centro. Data de publicação: 21 de setembro de 2020. Acessado através do link <https://bahiaeconomica.com.br/wp/2020/09/21/rua-miguel-calmon-reflete-transformacao-do-centro/ > em 17 de junho de 2021.

[2]. Prefeitura de Florianópolis.: Caderno de Planejamento e Projeto Urbanos de Flornianópolis. Elaborado pelo Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SDMU). Florianópolis , Março de 2018. Documento acessado através do link <http://espacospublicos.pmf.sc.gov.br/downloads/A&P_maispedestres/MAISPEDESTRES01_MAR2018.pdf> em 16 de junho de 2018.

[3]. Prefeitura de Campo Grande: Portal eletrônico da Agência Municipal de Notícias de Campo Grande. Título da reportagem: Nova 14 de julho entra no circuito de turismo da cidade. Sem data de publicação. Acessado através do link <http://www.campogrande.ms.gov.br/cgnoticias/noticias/nova-14-de-julho-entra-no-circuito-de-turismo-da-cidade/ > em 17 de junho de 2018.

Referências consultadas:

UOL, Portal de notícias A Tarde.:  Título da reportagem: Salvador tem reconhecimento internacional pela adoção do Ruas Completas. Data de publicação: 03 de dezembro de 2020. Acessado através do link <(https://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/2148760-salvador-tem-reconhecimento-internacional-pela-adocao-do-ruas-completas)>  em 17 de junho de 2021.

ROSA, Adelaide Ashiley & LIMA, Fernando Tadeu Araújo.: Articulando Ensino, Pesquisa e Extensão: O Urbano sob a Lógica de Ruas Completas. Simpósio Brasileiro de Qualidade do Projeto no Ambiente Construído, Uberlândia, 2019. Artigo acessado através do link < http://www.eventos.ufu.br/sites/eventos.ufu.br/files/documentos/132_f_articulando_ensino_pesquisa_91.pdf > em 16 de junho de 2021.

BEZERRA, Mariana Andrade & JÚNIOR, Moisés Ferreira Cunha.: Cidades, espaços públicos e comportamento: discussões sobre o cenário urbano no contexto de pandemia global. Observatório das Métropoles – Artigos Semanais. Publicado em 11 de junho de 2020.  Acessado através do link < https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/cidades-espacos-publicos-e-comportamento-discussoes-sobre-o-cenario-urbano-no-contexto-de-pandemia-global/> em 16 de junho de 2021. 

Instituto Pólis.: O que é direito a cidade? Sem data de publicação. Acessado através do link: < https://polis.org.br/direito-a-cidade/o-que-e-direito-a-cidade/ > em 17 de junho de 2021. 

NACTO & Global DesigningCities Initiative.: The Global Street Design Guide, 2018. Acessado através do link < https://globaldesigningcities.org/publication/global-street-design-guide/> em 14 de junho de 2021. 

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